[Contos] Um dia ao acaso

janeiro 21, 2016

Era um dia como qualquer outro, uma tarde que se fazia acabar brilhante por aqueles olhos que via no meu espelho. Mas não eram os olhos que mais sorriam hoje, aqueles meus lábios pintados de uma imensidão… Aquela mesma que me marcou hoje como jamais o tinha feito.
E eu fechava os meus olhos ao relembrar-me no momento em que tudo ruiu mesmo à minha frente, fazendo-me sorrir pelo corpo e alma que eu pensara ter… Aqueles que perdi, que deixei que se agarrassem a ti e que me levassem para um estado constante de sorrisos e brilho. Senti-te voar de perto de mim, como se uma bela borboleta fosses, despedida pelas outras… E eras a mais bela, a mais radiante. Ainda consigo ouvir a tua voz a pedir-me desculpa, ao mesmo tempo que eu congelara ao ver-te. Não sentia calor por causa do café que tinhas deixado cair sobre o meu corpo, muito menos todos aqueles cadernos e folhas que minhas mãos perderam de vista. Eu sorri, vendo o teu sorriso torto. Não sabia como tirar-te da cabeça mal te vira dentro dela. Foi mais do que um borbulhar de paixão como tanto contam os livros e aquelas tantas novelas e filmes românticos.
Eu me recusei, por medo, ao falar-te. Por momentos a única coisa que fomos, dois - além do silêncio que nos acercava - desconhecidos, deambulantes de uma vida efémera. E um número que me deste, para que eu te contactasse quando fosse limpar minha blusa a seco, para que a pagasses. Esse que tanto chama por mim quanto eu te penso, vezes e vezes sem conta.
Consigo sorrir-te através dos meus olhos, perdendo meu sorriso por momentos ao pensar naquele papel meio amarrotado em cima da cabeceira. Sim, eu quero dormir sobre o assunto… Sonhar-te pela noite e perder-te novamente. Receio que meu coração não aguente e meu sorriso exploda caso te veja… Tal como a tua voz, que tanto ecoa pelo meu crânio, que se esvaziou de ideias… Que se perdeu, junto às tuas passadas para longe de mim. Por esta tarde louca, borboleta viva e vibrante a cada sorriso meu.
Agora sim, eu sei… Eu sei o que é abraçar-me e sorrir plenamente por me recordar de ti. Como, por segundos, morre meu sorriso ao pensar encontrar-te de novo. O medo é tanto quanta a vontade de ouvir essa tua voz. Aí, eu me olho ao espelho e observo… Observo-te vivo dentro do meu sorriso. Observo a alegria que me dás. E perco-me pelo medo, perco-me de mim e sinto-me felizmente perdida. E o pequeno papel me quer chamar de novo… Maldito papel, que tanto me dá vontade de sorrir.

You Might Also Like

0 comentários

Deixa aqui o teu pedaço!

Não te esqueças de deixar o link do teu blogue, caso tenhas, para te poder visitar!

E... Não te esqueças:
embarca pela minha loucura, sê-te tempestade de emoções!

Corações

Google+ Followers

Popular Posts