.Prosa

[642 Coisas] Tema 2

janeiro 30, 2016

"642 coisas sobre as quais escrever (642 things to write about) foi criado em exatamente 24h por 35 escritores, que se juntaram e formaram o grupo The Grotto, em São Francisco, com a intenção de juntar mais escritores e mais escritores, formando uma conexão de inspiração." (Bruna Morgan) Vejam toda a envergadura do Projecto e a sua história em '642 Projeto' e no 'Grupo do Facebook'.

2- Você é um(a) super-herói(heroína). Quais são os seus super poderes e como pretende usá-los?


Abri os meus olhos, estiquei os meus braços e libertei-me de um sono profundo que acabara de ter. Conseguia ouvir um som bem perto, ao mesmo tempo que observava o céu limpo sob a minha cabeça. Eu sempre adormecia pela minha cama, porém os sonhos levavam-me para outros mundos – aqueles que eu continuava minuciosamente a criar.
Esses mundos em que nada existia – nem o tempo – e eu limitava-me a viver por lá, um momento de cada vez. Quando os meus sonhos se tornavam pesados, eles se formavam por um novo mundo e eu acordava neles. Estes eram mundos momentâneos, onde eu viveria até ao ponto de encontrar a porta que me levava de volta para o mundo real.
Olhei em volta, observando a praia deserta. Era a primeira vez que um sonho meu me levava para uma praia, e a sua areia parecia resplandecer pelo dourado suave dos seus pigmentos. Eu estava perto junto às dunas, dentre uns pedaços de madeira que pareciam fazer uma espécie de cama. Eu adorava quando a minha mente me surpreendia.
Passo a passo, aproximei-me da água para sentir a sua leveza sobre os meus dedos. Teria de aproveitar cada momento até que passasse pela saída e este mundo terminasse.
É interessante, como o tempo aqui não passa e os sentimentos prolongam-se pelo infinito. Tudo aqui é vazio, solitário e bastante amplo. Como se um pássaro voasse ao sabor do vento e vivesse por momentos numa utopia. Existem mundos que crio e permanecem à distância de uma porta ou janela e outros que surgem, entregando-se a mim por momentos e logo desaparecendo.
São como breves memórias, que hoje fazem parte de mim e logo surgem – permanecendo eternamente sem que o tempo os altere – continuando vivos em mim.
Hoje criar-te-ei um mundo, levar-te-ei para um universo alternativo. Escolhe o cenário, os sons… E eu te entregarei à utopia!

.Prosa

[Texto] Doces tormentas, essas da melancolia

janeiro 28, 2016

Que tuas lágrimas sejam sempre gotas de chuva e nunca caiam de teus olhos nem molhem a tua alma. Sente-te, preenche-te de ti e permanece sobre a tua respiração calma. Não apenas porque teu rosto molhado se faria mais salgado, ou porque cada pedaço de ti se entristece com tamanho dilúvio.
Pensa-te sobre o barco, algures latente, que navega pelo alto mar das tuas emoções. Pensa-te vivo, sempre presente em cada um dos teus sentires.
Agora sim, sê forte e chora. Deixa que essa chuva alimente as palavras que fluem da tua boca. Ontem, hoje e sempre… Até que a saudade finalmente te leve.

BCs

[Blogagem Colectiva] Desafios que quero participar em 2016

janeiro 27, 2016

A cada mês são-nos propostos temas para realizar a Blogagem Colectiva, que tem sempre temas tão originais! Querem participar? Cliquem 'aqui' e façam parte do grupo!

3. Desafios que quero participar em 2016:
Conte os desafios que você quer participar esse ano!!!


Eu sou uma pessoa que adora experimentar coisas novas, algumas que vou encontrando pela internet e outras que por vezes a minha cabeça cria no meio de nenhures... Ou talvez vá repetindo ao longo dos tempos.
Apesar deste ano ter alguns objectivos bem definidos - como continuar a escrever o meu 'livro', postar todos os dias da semana pelo site, tentar responder a todos os comentários pelo menos uma vez por mês, entre outros - eu desejo sempre abrir horizontes para novas experiências. Pensei em criar uma espécie de canal no youtube onde pudesse cantar as minhas melodias ou reproduzir outras músicas e até declamar poesia ou ler textos que gostasse da minha autoria ou de outros blogues. Mas devido ao tempo ser escasso, acabei mesmo por apenas me aventurar por dois pequenos desafios de 2016 (que podem propagar-se pelos restantes anos).
É desses dois projectos que falarei de seguida.

642 coisas sobre as quais escrever

Esse é um projecto super interessante, no qual te dão temas variados que podes escolher escrever por ordem ou simplesmente escolher qualquer um e escrever sobre ele. Desde que todos eles sejam escritos. O ideal seria escrevê-los por 642 dias seguidos ou então escrever quantos quiseres. Desde que cada tema seja abordado seguindo o teu verdadeiro ponto de vista. Cada tema é bastante original.

Comecei este mês com os temas, a minha primeira postagem encontra-se aqui, com os links próprios para o projecto.

Mural do Vento

O mais divertido nos temas é quando sentimos que alguém pode conseguir relacionar-se com eles ou que deseja aprofundar alguma experiência através de algumas letras. O meu principal objectivo com esses ventos que vêm de quem passa por aqui é viver cada pedaço da sua visão através dessas pequenas palavras.
Saber que vários corações sentem as ventanias que por aqui escrevo é uma alegria para a minha imaginação.
É por isso mesmo que coloquei aqui um pequeno chat para colocarem os temas.

Por enquanto são apenas esses pequenos desafios que tenho por aqui pensados... Talvez surjam mais alguns temas ao longo destes meses, será divertido!
E vocês, têm muitas coisas em mente para este ano?

.Poesia

[Divagações] V

janeiro 26, 2016

Traços dourados se iluminam pela janela,
Meus olhos se fecham por tamanha luz,
Sinto o calor pulsar sobre a minha face,
Que luz seria aquela? Que luz tão bela,
Que tanto a minha pele seduz,
Deixando-a aquecendo, aquecendo…

Uma lufada de ar entra quando a abro,
É o vento, me dizendo o que quero ouvir.
O dia brilha, tudo fica vivo!
Até parece que começo a sentir,
Aquela doce Primavera…

.frases

[Frases] Frases 89

janeiro 25, 2016

Palavras perdidas
Nossas mãos se perdem, fechadas, ao longo dos segundos que nossas bocas se abrem. Não, estas palavras pouco ecoam pela nossa alma. Não as sentimos, não as vivemos o tempo que é preciso. Não as reflectimos, não as fazemos nascer inteiramente da nossa garganta…
Elas são cuspidas para o mundo, sem qualquer destino. Tão perdidas quanto nós.

.Prosa

[642 Coisas] Tema 1

janeiro 22, 2016

"642 coisas sobre as quais escrever (642 things to write about) foi criado em exatamente 24h por 35 escritores, que se juntaram e formaram o grupo The Grotto, em São Francisco, com a intenção de juntar mais escritores e mais escritores, formando uma conexão de inspiração." (Bruna Morgan) Vejam toda a envergadura do Projecto e a sua história em '642 Projeto' e no 'Grupo do Facebook'.

1- Descreva a sua aparência física (na terceira pessoa), como se você fosse uma personagem de livro.


O sol parecia florescer no seu cabelo longo, por onde raios dourados atravessavam a terra plena dos seus fios terrenos. Sua pele avermelhava com o frio quente que parecia surgir nesse dia, como se algo especial acontecesse dentro de si. Talvez fosse o vento que a abraçasse, ou fosse mera ilusão.
Pequena, sem que fosse sereia. Seios volumosos, tal como seu corpo – de grandes proporções para o comum mortal. Sorriso travesso, iluminado pelos seus olhos e olhos aveludados como adagas de cristal. Tons castanho-esverdeados, olhos pequenos e sobrancelhas marcadas sobre um rosto arredondado. Seguindo por passos tortos, pé ante pé, para o seu caminho. Tanto lentamente como fortes e rápidos. Cabelos longos soltos ao vento, enlouquecidos entre si, enrolando-se consoante a própria vontade. Pés grandes e mãos pequenas que seguem pelo mundo, numas sapatilhas sem marca e meias de qualquer cor – talvez preto. Calças de ganga, uma camisola de cor variada, dependendo do seu humor.
Aquela menina moça, que já caminha para senhora. Cresce ainda criança, parece baloiçar o seu corpo, observando tudo o que a rodeia. O casaco? Encontra-se encostado pelo ombro, enquanto a sua mão direita o segura – talvez até desça, encontre-se com a sua cintura e se enlace.
Quem sabe? Talvez este diabrete de corpo pequeno e cabelos longos siga o caminho rumo ao inferno. Ou, simplesmente, apenas saltite por aí. Onde os seus pés grandes tiverem lugar.

.Prosa

[Contos] Um dia ao acaso

janeiro 21, 2016

Era um dia como qualquer outro, uma tarde que se fazia acabar brilhante por aqueles olhos que via no meu espelho. Mas não eram os olhos que mais sorriam hoje, aqueles meus lábios pintados de uma imensidão… Aquela mesma que me marcou hoje como jamais o tinha feito.
E eu fechava os meus olhos ao relembrar-me no momento em que tudo ruiu mesmo à minha frente, fazendo-me sorrir pelo corpo e alma que eu pensara ter… Aqueles que perdi, que deixei que se agarrassem a ti e que me levassem para um estado constante de sorrisos e brilho. Senti-te voar de perto de mim, como se uma bela borboleta fosses, despedida pelas outras… E eras a mais bela, a mais radiante. Ainda consigo ouvir a tua voz a pedir-me desculpa, ao mesmo tempo que eu congelara ao ver-te. Não sentia calor por causa do café que tinhas deixado cair sobre o meu corpo, muito menos todos aqueles cadernos e folhas que minhas mãos perderam de vista. Eu sorri, vendo o teu sorriso torto. Não sabia como tirar-te da cabeça mal te vira dentro dela. Foi mais do que um borbulhar de paixão como tanto contam os livros e aquelas tantas novelas e filmes românticos.
Eu me recusei, por medo, ao falar-te. Por momentos a única coisa que fomos, dois - além do silêncio que nos acercava - desconhecidos, deambulantes de uma vida efémera. E um número que me deste, para que eu te contactasse quando fosse limpar minha blusa a seco, para que a pagasses. Esse que tanto chama por mim quanto eu te penso, vezes e vezes sem conta.
Consigo sorrir-te através dos meus olhos, perdendo meu sorriso por momentos ao pensar naquele papel meio amarrotado em cima da cabeceira. Sim, eu quero dormir sobre o assunto… Sonhar-te pela noite e perder-te novamente. Receio que meu coração não aguente e meu sorriso exploda caso te veja… Tal como a tua voz, que tanto ecoa pelo meu crânio, que se esvaziou de ideias… Que se perdeu, junto às tuas passadas para longe de mim. Por esta tarde louca, borboleta viva e vibrante a cada sorriso meu.
Agora sim, eu sei… Eu sei o que é abraçar-me e sorrir plenamente por me recordar de ti. Como, por segundos, morre meu sorriso ao pensar encontrar-te de novo. O medo é tanto quanta a vontade de ouvir essa tua voz. Aí, eu me olho ao espelho e observo… Observo-te vivo dentro do meu sorriso. Observo a alegria que me dás. E perco-me pelo medo, perco-me de mim e sinto-me felizmente perdida. E o pequeno papel me quer chamar de novo… Maldito papel, que tanto me dá vontade de sorrir.

.BlogsUp

[Blogagem Colectiva] Séries para assistir em 2016

janeiro 20, 2016

A cada mês são-nos propostos temas para realizar a Blogagem Colectiva, que tem sempre temas tão originais! Querem participar? Cliquem 'aqui' e façam parte do grupo!
Podem até haver pessoas que ainda não saibam, mas eu respiro séries. De momento tenho uma lista de 53 séries que desejo ver que se encontram ‘activas’ – já sem falar de todas aquelas que já foram canceladas.
Então, irei referir e dar a minha opinião acerca de 3 grupos de séries que fazem parte da minha lista: 3 séries canceladas (mas que merecem ser vistas), 3 séries renovadas e ainda uma nova série que inicia neste novo ano.
Cada uma delas mostrará o trailer que coloquei a partir do youtube.

Séries Canceladas

Fringe


Eu sou louca por todas aquelas séries que montam quebra-cabeças, e ainda mais quando envolvem teorias da ciência e a levam ao extremo. Mundos alternativos, experiências em seres humanos fantásticas e uma guerra de cérebros bastante determinados a obterem o melhor do mundo – não sonhando eles que o seu futuro já se encontra nos dias de hoje. Mas, não querendo desvendar demais, fiquemos pelo trailer.

Nikita


Sendo totalmente o oposto da anterior, esta envolve-se no mundo da espionagem e a tentativa de vingança da nossa velha conhecida (de uma série já criada noutra época). Personagem envolvente e guerreira no verdadeiro sentido da palavra. Vale a pena ver cada pedaço das temporadas que existem.

Hannibal


Arte, a arte de bem matar e de comer bem. Cultura, capacidade de ser-se completo – através dos órgãos daqueles que come. Divinal foi a sua caminhada ao longo das temporadas que não merecia um fim tão repentino. Não me canso de adorar esta série. Até pelas músicas. Divinalmente diabólico.

Séries renovadas

Salem


Bruxas, um jogo de trazer o senhor das trevas para a pequena cidade de salem. Uma mulher que se torna a mais poderosa feiticeira com o único objectivo de vingar-se de todos aqueles que lhe olharam de lado. Todos merecem o sofrimento

Sherlock BBC


Talvez a primeira e das únicas séries onde eu me prendo por completo, deixo-me enlouquecer e espero a cada segundo pelas travessuras que os escritores desenvolvem. Como adoro os actores, as actrizes e todo o elenco que torna esta versão do Sherlock a melhor para mim.
Sherlock actual, frio e cru. Aquele que eu adoro…

Orphan Black


Como viver uma vida complicada? Talvez não seja tão fácil, com todos os problemas que vamos tendo ao longo destas horas que passamos neste mundo. Mas o que fazer quando descobrimos que somos clones? Que o nosso genoma sequer é realmente nosso? Que cada detalhe do nosso corpo é parcialmente parte da vida de tantas outras? É esta guerra, entre os clones e as empresas que os criaram que envolvem todas as personagens e tornam a narrativa interessante. Sem sequer falar na capacidade fantástica de interpretação da actriz principal.

Série Nova

Legends of Tomorow


Ainda sem episódios, mas na sequência do que já vamos vendo pelo Arrow e Flash. Onde as personagens – boas e más – necessitam de unir forças para proteger o futuro do mundo.

Como eu adoro os mundos onde me perco... :)
Espero que gostem, pois eu cá adoro!

.Poesia

[Divagações] IV

janeiro 19, 2016

A melancolia abateu-se sobre mim,
Todos os teus passos são uma resposta dos meus,
Todos os teus passos me deixam assim,
Sinto a minha alma esvoaçando pela tua,
Gemendo pelas tuas dores,
Cantarolando pelos teus louvores…

Pergunto-me onde estás agora,
Talvez voando pelas eternas memórias,
Aquelas que a mente teima em não esquecer…
Memórias que vão desabrochando e sorrindo,
Dizendo para mim que estás do meu lado,
Mostrando-me que para tudo estarás aqui…

Talvez seja pelo sol que abater-se-á
Naquele dia em que estaremos juntos,
Talvez seja aquele olhar que constantemente,
Por mais que negue, me ilumina…

É aquela sensação de paz,
Como se nunca tivéssemos saído realmente dela,
Como se nunca houvesse um antes do agora,
Talvez seja pelo momento, pelo dia…
Mas sabemos que nada o define,
Só mesmo esse olhar que encontro em ti
Quando a tua voz fala para mim,
Quando o dia nos ilumina e acalenta,
Quando as memórias se tornam no agora…

.frases

[Frases] Frases 88

janeiro 18, 2016

Tudo será certo enquanto conseguires avançar cada queda das batalhas que tens com confiança de que, um dia, o teu sorriso se fará mais brilhante que o sol.

.Prosa

[Texto] Insanidades

janeiro 14, 2016

Não sabia ainda bem por onde andava hoje, porém meus olhos continuavam fechados ao som da minha respiração quente - aquela que agravava o silêncio que me rodeava.
Conseguia ouvir os gritos dentro de mim, como se tudo o que eu fui quisesse rasgar minhas entranhas e escapulir-se para longe. Estaria eu louca? Talvez eu o fosse, talvez a minha voz pudesse gritar para os quatro ventos para onde eu fui, para onde me perdi vezes e vezes sem conta - cá dentro.
Tentei abrir meus olhos, apenas vi aquela sombra que me seguia para todo o lado, ela respirava-me. Eu perguntei-lhe porque me seguia, tentei saber o seu nome mas apenas o silêncio se fez presente - ao mesmo tempo que o vento soprava sobre meus cabelos dourados imaginados de um outro qualquer lugar.
Caí sobre o caos do chão que me sustenta, gritei com todos os pulmões que os quatro ventos me davam sem que ninguém me ouvisse sequer. A loucura acontecia bem dentro de mim: naqueles lugares onde as árvores ganhavam vida, meus olhos brilhavam e cada célula do meu corpo revivia pequenas histórias mastigadas na minha mente.

E o que serei hoje? Quem vestirá a minha pele?

Talvez eu te abrace, no final das horas, quando minhas mãos abandonarem o teu pescoço…. Talvez eu te leve, como memória daquilo que sonhei hoje. Talvez me sejas vida, amanhã quando a escuridão perder a magia… Talvez nada me sejas.

.Prosa

[BQI Select] Blogagem Colectiva: Parem com o mundo. Quero descer!

janeiro 13, 2016

A cada mês são-nos propostos temas para realizar a Blogagem Colectiva especial por aqueles que fazem postagens maravilhosas, e eu faço parte desses corações alucinantes!!!
Cliquem 'aqui' e vejam mais postagens no grupo de elite do BQI!

Vamos ver o que sairá daqui? Que venham as letras, por favor!


Parece ironia escrever este texto junto de chuva. Esta que parece também querer descer do mundo, aprofundá-lo de suaves gotas, para que tudo se limpe e passe a voltar a ser o que era – uma maré repleta de fauna, flora que se faz cada vez mais escassa por este nosso mundo.
Raízes que se perdem. A Natureza parece já não mais fazer parte de nós. O que somos então? Pedaços de concreto criado por algum arquitecto, que estudou dentre livros e pedaços de ideias criadas pelo homem. Para quê continuar a ouvir o vento se as paredes podem isolar-se do mundo?
Eu não quero viver num mundo onde é mais importante que um guarda-chuva abrigue os nossos corpos para que não haja água, do que sentir as pequenas gotas de vida sobre a nossa pele. Deixar tudo o que nasce connosco para trás e apenas moldar-nos consoante o que nos é dito por aqueles que nos rodeia. Essa roda-viva que parece levar-nos para longe e encher-nos de supostas felicidades vazias.
Não que seja apenas um concreto, uma selva de concreto feita de partes desfeitas dos homens, cheia de sujidade – por mais que seja limpa. Repleta de sombras, como se continuassem escondidas e ocultas dos nossos olhos mas preenchidas de merda.
Prefiro descer agora, deixar esse mundo. Parar com esse concreto e descer. Que a chuva continue, que eu desça com cuidado. Que me encontre algures entre estas gotas.



.Poesia

[Divagações] III

janeiro 12, 2016

São aqueles passos que me seguem a toda a hora,
Me dizendo que a vida se vai diluindo em momentos,
Preparando-me para a minha caminhada,
Segredando um pouco de tudo para mim…

Alguma vez deixarei de ver a lua, doce e misteriosa,
Que me embala e conserva durante as noites,
Que me deixa ao sol aquando do amanhecer
Para que o sol tome conta de mim?

Serão eles que me vão guiando pela dita sina?
Não creio, a teimosia não os deixaria guiar
E a liberdade não quereria que a teimosia cessasse,
Para que pudesse tropeçar e erguer,
Será sempre a melhor forma de começar…

Olho para os meus passos e nada vejo,
Além daqueles passos que vou dando,
Daquelas quedas que não quero dar,
Aquela suave melodia que vai continuando…
Ah! Como doce é cavalgar e sentir o vento!
Como é bom puder sorrir apenas por estar
Rodeada da eterna melodia que a Natureza,
Essa que continua bela como sempre,
Que nos diz que somos parte dela.
Talvez fosse bom que nunca mais deixasse
Meus pensamentos voando…

.frases

[Frases] Frases 87

janeiro 11, 2016

E quem és hoje? Pelos dias em que a tua inocência se perdeu…
Como ser-se nós mesmos quando nos deixamos de descobrir a nós mesmos em cada sentir que reflecte cada traço de nós?

.Prosa

[Contos] Fugitiva

janeiro 08, 2016

E eu deixei-me… Corri para longe de mim e perdi-me na sombra dos teus lábios fustigados pela morte. Escrevi-te nas pedras caiadas de sangue, derramado pela minha pele temerosa que te perdia a cada segundo que teu sorriso se estendia.
Era um cabelo solto, breve e revolto que parecia esvoaçar junto às minhas lágrimas. Destemido e tão livre que mal parecia o meu. Não, eu não gritei o teu nome porque não existia mais voz dentro de mim. Ela se calara pela eternidade, na esperança que meus gemidos se ouvissem menos e que teu nome desaparecesse… Para que, sempre que eu te chamasse, não houvesse aquele vazio enorme como resposta.

Como uma rosa branca, manchada de dor, avermelhando-se pelo sangue que nos trouxe tua partida. Aqueles espinhos, doces e tão duros, nos permitiram sorrir por momentos sem que nada se desprendesse… Eram palavras belas aquelas nunca ditas por nós, essas mesmas em que nossos olhares temiam abraçar a cada despedida. Até que finalmente nos fomos, eu e tu, nos matamos para o nosso mundo e vivemos outros dois. De minhas vidas surgiram sombras fustigadas pelo passado… Luzes abraçadas pelo presente, e aqueles mágicos tons vermelhos de um futuro de luta. Sim, eu lutei por mim, para que meus lábios se calassem. Para que minhas lágrimas cessassem.
Elas se foram, meus sorrisos voltaram… A rosa se fez vermelha, outra e outra vez. E, a cada uma dessas vezes eu saltei o muro, manchando-me de negro pelo que já fui e morreu. Deixando partes de mim caiadas a vermelho dentre as pedras que tanto me tentavam impedir de avançar.

E eu olhava para trás com um breve sorriso, abandonando os meus traços cor de sangue… Procurando as forças para que outro muro passasse à história.
E minha voz continuava entalada pelas fendas dos muros… Umas vezes eu a encontrava e cantarolava com todo o gosto. Outras…
Outras se fizeram silêncio, peso e rosas espinhosas em que meus lábios voltariam a secar. Até que o vermelho deixasse meu corpo e voltasse ao seu derradeiro lugar.

.Prosa

[Textos] Somos tão humanos, tão pedaços de chuva diluída

janeiro 07, 2016

A chuva parecia tornar-se parte de nós, enquanto os ventos sopravam fortemente sobre a nossa pele. Nós não sabíamos como podia chover tão brilhantemente, como se tudo fosse bem mais do que chuva.
Calafrios, pequenas gargalhadas vazias e paredes brancas que não parecem levar a lugar nenhum. Como se a tempestade passasse, levasse cada parte das nossas casas e nos deixasse dentre os destroços – como se não fossemos mais que isso, meros destroços numa tempestade acabada. Isso são as raízes, aquelas cravadas no nosso peito que se fazem levar por cada membro do nosso corpo. Até a ponta dos nossos dedos recebe a profundidade da ruína que somos.
A cada novo dia que passe, as brechas dessa parede branca continuarão a abrir-se, como se a mesma não conseguisse manter-se intacta, como se tudo não passasse de uma grande tempestade em que somos molhados pela chuva. Nossos sentimentos são as chuvas desta tempestade, quem amamos se torna o vento desta imensidade.
Somos tão humanos, tão evoluídos que nos enlouquecemos – tão pedaços de chuva diluída neste sangue que nos preenche. Como se nos limpasse, nos protegesse e nos encontrasse pelas suas longas estradas. Estradas que nos conhecem melhor que ninguém.
Um corpo habitado de gente. Gente, essa, que se perde, fecha os olhos e procura encontrar-se. Preencher os lábios cansados de luz, sentir sobre a pele o calor do dia e o cortante da noite. Parecemos ser mais, numa ilusão que nos preenche – tornamo-nos menos por essa parede branca – traçamos caminhos.
Um sorriso terno que resultava em pequenas gotas. Mas nós somos mais do que gotas de chuva, somos bem mais – com todo um oceano dentro de nós. Será essa a loucura da paz? Seguir cada pedaço dessa parede vazia, preenchendo-a de nós – tornando-a viva.

.BlogsUp

[Projecto 121] #1 - Fale sobre Recordações

janeiro 06, 2016

Existe um novo projecto pelo Blogs Up, o Projecto 121! Querem participar? Cliquem 'aqui', participem e façam parte do grupo!

Mas o que é esse tal projecto?
Consiste em usar um dos 121 temas para blogagem, e ao contrario dos demais projectos este é fixo e não tem prazo ou ordem a ser feito.

É tão espectacular! Vou ver se consigo realizá-las todas, cada postagem destas 121 propostas neste projecto... Vamos lá seguir para a postagem?

É interessante a forma como as nossas memórias se perdem pelo tempo em que nos lembramos delas. Como frases se tornam ideias, por vezes até perdendo a verdadeira ordem das palavras e até mesmo o sentido delas. As nossas recordações são parte das nossas emoções.
Porém, eu hoje não irei aprofundar-me nas recordações que me marcam por esta semana – quando aquelas pessoas que nos fazem tanta falta acabam por estar mais um ano sem nos abraçar – e passarei a tentar relembrar-me de uma recordação que tenha sem que ninguém mais esteja envolvido a não ser a minha pessoa.
A primeira vez que passei a noite em claro, sem sequer o reparar, foi quando escrevia para o projecto The Unforgiven Souls. A minha personagem parecia puxar por mim, por isso estava eu em 2009 a aprofundar-me na loucura da minha egípcia loira e a embeber-me da sua garra.
Já não me recordo ao certo o que escrevia, muito menos o que ouvia – claro que obviamente iria ter música por perto, novas personagens sempre brotam mais vivas de melodias.
Quanto mais escrevia, mais o meu sorriso aumentava e a minha fome por descobrir mais da sua loucura mantinha-me acordada dentre as letras sem sequer olhar para a janela do quarto pequeno que se tornara a minha residência na faculdade. Eu permanecia ali, enlouquecida, endoidecendo a personagem que quase saía das minhas veias e me aniquilava. É uma dessas personagens que nos tira tudo, que vive e agarra cada parte de nós e vira-nos totalmente ao contrário.
E é por isso que esta é uma das minhas melhores recordações, respirar fundo, após atingir uma utopia – essa personagem parecia florescer do sangue que brotava pelas suas mãos – acabei por olhar sobre a janela e ver a madrugada nascer. Surpresa e felicidade estavam sobre as minhas veias, como se cada parte – cada momento que estivera acordada – fosse um sonho profundo de onde surgira aquela sanguinária vampira.
Acho que até hoje ela parece continuar bem viva, tão longe daquela que narra a sua história. Talvez até o seja. Aquela bela recordação que me faz inspirar pelo mundo, que me mantém acordada e encontra-me sobre os sonhos de olhos abertos.
Ousemos recordar, ousemos sonhar!

.Poesia

[Fase 6] Viver nas nuvens

janeiro 05, 2016

Fosse aquele pedaço sorriso
Desmanchado e desprendido de mim,
Para que eu te pudesse levar comigo
Por toda esta loucura sem fim.

Devo levar-te sobre as nuvens,
Onde aqueles sonhos de aguarelas
Acordam sobre a imensidão do sol
E aquecem nossos traços diluídos
Sobre aqueles sorrisos.

Fechamos, então, nossos olhos,
Como se sentíssemos aquela nossa vida
Vibrar sobre os tons dos céus,
Deixando-nos encontrar nossos lábios.

Enlouquecemos juntos, tu e eu.
Mente e corpo. Razão e emoção.
Para que os céus sejam aguarelas pintadas,
Tão repletas de sons breves.

.frases

[Frases] Frases 86

janeiro 04, 2016

Se fechar os olhos, encontrar-se e perder-se sobre as marés é saber quem nós somos… Que sejamos o transcendente, intermitente, de toda esta loucura que nos habita. Sejamos coragem.

Novidades

[News] Novo ano, nova cara

janeiro 01, 2016

Bom ano 2016 para todos vocês!

Como podem reparar, agora que o ano 2015 se foi temos cara nova. Como adorava a roupa que vestia este meu site, antes das mudanças que por aí vêm. Sabem que mais? Existirá uma postagem especial amanhã - sábado - para todos aqueles que já se inscreveram como Leitores-Beta e aqueles que desejam fazer parte desse mundo.
Virão conteúdos específicos para esses meus anjos, que terão em primeira mão cada letra minha - e até fazer parte das histórias que por aí nascerão.

Quais as principais mudanças deste novo ano? Aqui vão:
  • Actualização da Bio;
  • Mudança do Tema do Blogue;
  • Colocação de um Mural no site com dicas para pedir textos, frases, poesias, etc.;
  • Actualização do Mapa do Blogue.
Mas não se preocupem que ainda existe muito a surgir por estes ventos... Este novo ano será repleto de aventuras!

Espero ler-vos por esse lado mas - mais importante - que se sintam por aí! É para isso que as letras servem, para sentirmos e fazermos sentir.

Um abraço a todos!

Corações

Google+ Followers

Popular Posts