[Contos] UM SUICÍDIO EM TONS DE MIL?

dezembro 04, 2015

Bem, eu matei-me. Ou…pelo menos tentei matar-me e consegui-o em parte. Existiu um pequeno traço das minhas lágrimas que se foi, uma outra dor de alma que abraçou o meu passado e deixou-me quem eu sou hoje. Sim, posso dizer que me suicidei para tornar-me o que sou hoje.
Sim, eu sei que não pus termo à minha vida… Mas, cheguei a pensá-lo por momentos em que nada parecia tão forte quanto a dor - ironia minha - mesmo, sem me recordar do amor. Não precisam de ler-me neste pequeno momento, não precisam de sentir-me… Nem de vos sentir a cada entrelinha desta pequena história em traços de realidade que vos vou contar.
Eu era pequenina, meus olhos ainda brilhavam como de uma menina. Mas, o brilho deles surgia pelas lágrimas que teimavam e flutuar de meus dedos, elas escorriam sem destino nem lugar…de onde vinham? Talvez de todo o lado do meu corpo, ou simplesmente de lado nenhum. E eu pensei que minha vida pudesse voar, como essas pequenas gotas que o sol queimaria, levando-o com ele.
Sim, meu sol tinha ido com o seu mais esplendoroso brilhar e me deixara pelo destino do luar. E a lua me dizia, para que eu corresse, para que voasse. E eu realmente pensei em deixar meu corpo, voar dele e deixar que as pulsações se esvaziassem em sangue. Eu o fiz, peguei num punhal cravado de ilusões e gemidos, ergui-o e chorei. Iria voar para longe, para que meu peso se transformasse em sorrisos e em velhas cores…
Cristais se tornam maravilhosos quando se deixam transcender na luz que os cerca. E eu era um cristal bruto, perdido algures dentre gotas minhas, iluminado pela vida sem o ver. Desarmonia, aquela que me deixava em agonia por uma dor que eu teimava em escurecer.
Um suspiro fundo marcou a minha morte, meus olhos brilharam novamente e uma aura abraçou-me tão profundamente que eu mal acreditava que realmente isso fosse acontecer. Uma menina que esvoaçou, que se irradiou, desfazendo-se em transcendência de uma sensação de morte. Amor, que tanto me abraçavas e nunca me dizias.
E essa menina morreu, sorrisos se foram e tempestades ficaram. Fantasmas mataram seu brilho, seus dedos estalaram num novo renascer. Um suicido completo, em que tudo se mata mas o amor nos faz viver. Eu matei-me de uma morte amada, matei-me de mim…matei-me por nada. E agora sou letras, sou agonia, sou sinfonia sem fim… Nestas palavras - e tantas outras - meio dadas.

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