[Texto] Tons de Sépia

setembro 11, 2015

Fosse qual fosse a hora, qualquer melodia serpenteava pelos meus poros. Aquele tema preenchido pelas minhas dores, destemidas em sentir. Elas sentem tanto, meu querido, elas sentem-me tanto que me perco pela sua maré.
Serei gota de chuva sobre as estrelas, para que o mar me leve. Serei vento, para que te sopre. Sou um ponto final, para que eu acredite. Sou um pedaço de nuvem, para que voe para longe daqui.
Consegues ouvir o estremecer das minhas lágrimas de sangue? Gotas negras que se espalham por meus dedos e encontram-se pela luz do que sou. A escuridão leva-me ao precipício da luz. Eu voo alto, eu irei cair e deixar-me morta pelos segundos em que o meu corpo se deixa flutuar no nada.
Ossos que se partem, olhos que se encontram pelos tons de sépia imaginários da minha alma. Quem és tu, horizonte? Para quê tamanha ilusão? Faz-te semente pela minha raiva, faz-te firme e mata-me por cada novo dia.
Porque eu morri, quando as folhas das árvores envolveram os meus ouvidos, a luz da lua estremeceu pelos meus poros. Fiz-me carne morta, despedaçada pelo que sinto… Fiz-me e sou vazio. Preencho-me de nós inexistente, aquele que a cada dia cresce. Quem és, doce neblina em tons de sépia?
Ouso gritar o teu nome por dentro, aquele nome que aqui queima dentro de mim. Ouso lembrar-me de nós, hoje, amanhã…até depois morrerei, mais uma vez, pelas nossas lembranças.
Porque não morremos hoje de vez? Vamos deixar nossos tons de sépia, vamos preencher as cores da noite e besuntar nossas almas do vazio que nos preenche.
Larguei minhas sabrinas azuis, senti o tom fresco da areia sobre os meus dedos. Corri para o meio da praia. Queria fazer das minhas lágrimas parte do mar. Morri, encontrei-me e desejei nadar até mim – bem lá no meio daquela água que me mataria.
Eu morri hoje, meu querido. Por isso vai morrer longe, que amanhã recomeçará a minha morte com outros tons de luz. Vai-te fuder. Vai-te imaginar onde te apetecer, mas jamais em mim. Vai-te ser para longe, mais uma vez.
És minha caixa de sépia – a pandora – e morrerás em mim. Até que as folhas ganhem o tom mágico da minha alma, a luz transpareça das nuvens. Nós morreremos os dois. Mas só hoje. Só hoje.

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