[Texto] Carta de Vida

setembro 02, 2015

Você consegue ver aquele cantinho que guardei a cada dia no meu coração? Cada vez crescia mais, guardado novas palavras que chegavam pelo correio. Eu juro que ria e chorava ao mesmo tempo, vendo assim nossos nomes tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo. Eu juro que gostaria de ter uma pequena fada madrinha que pegasse em mim, perguntasse o que eu mais desejaria e a única coisa que pediria seria puder estar mais próxima de você.
Você não deve saber, mas o meu rosto se ilumina e as minhas mãos voam pela folha em que eu respondo às suas palavras. Aquelas que me fizeram sorrir, chorar e desejar cada vez com mais força me levantar e enviar-me numa carta para a sua caixa de correio. Neste momento a caneta está no ar, envolvendo-se em pensamentos que passam pela minha cabeça, como se não quisesse realmente deixar letras que formasse palavras… O que eu queria era que a tinta me pudesse trazer você, para que a saudade cessasse… Para que aquela parte de nós fosse preenchida pela luz. Consegue imaginar o meu olhar no seu, nossas mãos - que tantas vezes se escreveram – tocarem-se, aproximarem-se… Sorrisos verdadeiros, respirações que formam palavras pelo doce som da tua voz… Até que um dia, eu corri e meu sorriso parou. Não havia nenhuma resposta, a carta que você sempre me enviava não estava mais lá.
Meu corpo caiu sobre a cadeira junto à janela. Eu olhava o horizonte sem ao certo saber mesmo o que via, apenas desejava sentir novamente o som da carta ao abrir-se com os meus dedos. Por isso mesmo me perdi, dentre pensamentos, como se soubesse que algo não estivesse certo. Pensei em telefonar, talvez até em procurar melhor… A sua carta poderia ter caído numa outra caixa que não a minha, imploraria ao carteiro que me dissesse se tinha visto alguma carta por aí que fosse minha.
Eu queria as suas palavras, queria que elas baloiçassem nos meus olhos, para que minhas lágrimas e sorrisos pudessem voltar novamente a mim. E o calor, aquela enorme felicidade de puder estar perto de você, das suas palavras… A campainha toca… O meu sorriso voltou, ainda mais aberto do que antes. Não me importava a carta que estava na tua mão, nem as palavras que estariam nela. O brilho do seu olhar me diria cada uma delas, por isso empurrei você para dentro da minha casa, fechei a porta. O restante… O resto jamais poderá ser medido pelas palavras, muito menos por pequenas cartas. Nós escreveremos o futuro em nossos corações e os nossos olhares nos lerão a cada novo dia…

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