[Homenagem] Silêncio Inócuo

setembro 03, 2015


Perder parte de nós, ser-se vazio junto do que nos rodeia e tão preenchido naqueles que fazem parte do mundo que é espalhado pela comunicação social. Argumentos válidos, sobrevivências válidas e constantes telhados de vidro que se encontram mortos para atirar pedras ao parceiro que disser algo que não seja ‘aceitável’.
Remeto-me ao silêncio, com olhos abertos – que por vezes desejo tanto fechar e ignorar certas palavras que me revoltam. Por isso hoje a minha homenagem é àqueles que se vão pelas ruas da amargura, omitidos pelo que ninguém quer mostrar. Hoje é aquele dia, dos que passam fome, dos que não têm tecto enquanto procuram incessantemente uma oportunidade de sobrevivência. Aqueles que agarram com unhas e dentes a pequena tigela de sopa e uns trocados que a humanidade lhes atira.
Não falo dos apoiados, tão beneficiados, pela segurança social – e quantos mais virão? Minha homenagem começa naquelas mulheres que morreram pela opressão e acaba nas mulheres oprimidas nos dias de hoje porque não são ‘aceitáveis’. Mas ser-se vazio por dentro é válido? Remeto-me ao silêncio. Vamos partilhar, ser humanos para aqueles que vemos no ecrã e passar ao lado daqueles que nos rodeiam. É tão mais humano cuidar da nossa imagem do que esconder-nos pelas sombras – como tantos sabiamente fazem.
Minha dedicatória, meu obrigado silencioso também se remete a essas almas.
É tão mais fácil ser-se humano, colocar um like, cuspir umas palavras com os dedos… E ali estão eles, os invisíveis da fome, da solidão e de tantas outras proximidades que ninguém deseja ver.
Somos tão cheios de nós que vemos o que os MEDIA nos escreve, esquecemos o que a nossa alma escreve… Talvez porque é isso que ela escreve, um silêncio real e chocante que ‘não sabemos bem porque o mundo anda assim tão desumano’.
Tenham quilhões para saberem que são desumanos. Eu o sou, desumana, na tentativa de o deixar de ser. Mas nosso umbigo é forte, há tempestades diárias contra isso. Vamos tentar remar – no silêncio – contra a maré?

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