Será...morte matada?

junho 26, 2015

Será...morte matada? Ou, talvez...morte morrida? Ou simplesmente morte desmanchada e desmedida? Quiçá, apenas uma morte dividida entre o ser e o não ser... Talvez seja essa a questão.

E eu hoje morri. Morri para aqueles que nem conheço e outros tantos que como se, com isso, nem se importassem. Poderia ser um início de um livro, ou de uma outra história qualquer… Mas é apenas o meu fim. Nada mais além de umas letras ensanguentadas que desperdiço por aqui.
Corri para bem longe de mim sem querer ao certo olhar-me, talvez com o medo que me tornasse uma pedra, fria e congelada no tempo. Então me escapei, matei-me e deixei aquele pedaço algures pela morte que me tornei. Recordo-me de gargalhar sobre o meu sangue, enquanto me manchava de vermelho pelas pregas da minha saia, aquela avermelhada, aquela que flutuava brilhantemente sobre a morte que me fiz ser.
Talvez tenha gritado por mim, na tentativa de ouvir-me e pedir para que eu parasse de assassinar cada pedaço que eu fui. Então a morte veio, ela me levou sorridente e de braço dado com o meu corpo. Aquele tão célebre fantasma que se flutuava dentre palavras numa utopia brindada a dois. Eu e a morte, ela que me deixava divagar através das entrelinhas do meu sangue.
Seriam minhas tintas avermelhadas? Talvez o negro se tornasse parte de mim pela eternidade, ou o arco-íris fosse a festa daquela que fui, daquela que matei. Nada sou além de uma mancha de sangue daquela morte que sou. Loucura, a nada serve sem o sangue dos meus dias.
Então, diante de meus olhos, o vermelho se espalhou aquando da hora em que a morte se fartou de mim. Aquando da hora em que o seu sorriso se tornou a minha gargalhada enquanto meus dedos empunhavam a navalha - aquela mesma que me despojara de sangue segundos antes - aquela que me arrancara cada pedacinho dos sorrisos que eu deixava. Eu sorri, enquanto sentia o doce sabor avermelhado de vida esvaziar-se dentre o meu palato e o meu cérebro.
E então melodias erguiam sobre minha garganta. Ela se refugiava diante do meu coração, lapidado em lágrimas pelos dedos que declamavam e recitavam dores desmanchadas diante pequenas chuvas…
Seria a minha morte a cada renascer de vida, e eu morreria a cada dedilhar das minhas mãos. Morreria a cada loucura desenfreada que minhas mãos desvendassem pela navalha, aquela que se cravava pelo meu ser… Aquela mesmo que a morte me tinha oferecido, sorridente. Me pedindo para que eu lha cuidasse.
E eu cuidei com carinho, a alimentei do seu jeitinho… E a morte se fez, nascendo a cada letra minha. Aquela morte que, ainda hoje, gargalha sobre aquelas pequenas gotas avermelhadas que quase ninguém vê - mas que quase todos sentem uma vez na vida.
E a morte veio, sorridente, oferecendo-me a sua mão. E eu a aceitei com carinho, dando-lhe um beijinho… Naquela loucura que nos tornamos na loucura da emoção, aquela despedaçada e estilhaçada diante de nós.

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Corações

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