#Quedas...por um Italiano!

junho 03, 2015

Clica no avião para fazeres a tua viagem pela nossa outra queda, Caligrafando-te juntou-se a mim!

San Diego, intercâmbio por seis meses. Meus pés acabaram de aterrar nesta maravilhosa cidade e só penso no que andei a pesquisar. Só esperava conseguir investigar cada canto e recanto durante estes meses que me restavam.
Suspirei, ao sentir a pressão do relógio e o seu tique-taque alucinante. Observei o horizonte, investigando entre todos aqueles seres humanos que me rodeavam, cada um seguindo o seu caminho.
- Hi there, Débora! Ainda bem que te encontrei a tempo! – Virei-me, assustada. Não esperava que ela já estivesse aqui, tão perto.
- Rita, como vais? – Cumprimentei-a, abraçando-a.
- Estou bem, e tu? Pareces-me óptima e preparada para uma nova aventura!
- Claro! – Sorri.
Saímos do aeroporto, entramos num táxi e a Rita indicou uma morada. Não sabia sinceramente para onde ela nos levava, o que me deixava um pouco apreensiva. Desde que eu a conheço que sei que a sua insanidade vai muito além daquelas nossas brincadeiras momentâneas.
- Para onde vamos? – Perguntei-lhe curiosa, sem que ela me respondesse. – Já tinha saudades de te ter por perto.
- Só me mudei para cá há dois meses. – Justificou-se.
- Parecem dois anos…
- Vá… Aproveita a vista que estamos quase a chegar a minha casa.
Ela mandou e eu o fiz. Sentia-me dentro de um parque de diversões, era tudo novo para mim, tudo fantasticamente fudido.
Nem sabia como era possível que ela me tivesse convencido para seguir a área da Literatura – que eu amava, mas que a saída profissional era praticamente nula. Pior, como é que ela viajara para o desconhecido e me fizera dar um salto de Aveiro para um outro mundo tão diferente. Eu só podia ter enlouquecido, mas agradecia por isso!
Apanhamos um pouco de trânsito, a viagem demorou cerca de meia hora até chegarmos ao seu apartamento. Tinha pouca mobília, porém dava um aspecto limpo e arejado que me fazia sentir em casa. Começava a achar que seriamos muito felizes por aqui.
- Eu nem sei como conseguiste uma vaga na mesma universidade que eu. – Comentei com ela.
- História não é assim tão diferente de Literatura. – Conseguia ver a felicidade brilhar dos seus olhos. Era provável que fosse um pouco solitário estar num país completamente sozinha sem saber o que fazer. – E eu sempre me encontro com o pessoal de intercâmbios num café que é frequentado por universitários das redondezas.
- Já começas a falar como uma cosmopolita! – Brinquei.
- Sabes que mais… - Ela olhou para o relógio, o que me lembrou que tinha de mudar as horas do meu – Está quase na hora do nosso encontro com o nosso grupo de futuros amigos.
- Onde vamos? – Sentia-me tão curiosa que nem sabia ao certo o que pensar. Ainda nem tinha desfeito as malas!
- O Caffe Calabria fica a uns metros daqui. À tarde todo o pessoal encontra-se por lá para partilhar os seus dias e o café. É maravilhoso o café que lá fazem.
- Parece-me um bom lugar para relaxar… Vamos?
- Vamos!

Caminhamos por uns minutos, até que chegamos ao café. Parei, observei as paredes envidraçadas. O que mais gostei foi da frase em italiano que mostrava o ambiente que se podia esperar naquele café.

La Vita va vissuta quindi vivila al massimo!

Não havia nada que eu quisesse fazer mais do que viver a vida ao máximo. O número 3933 parecia já fazer parte do meu novo lar!
Entramos e sentimos o suave aroma do café, fechei os olhos e imaginei-me na safra dos grãos de café – como se estivesse numa fazenda, sentindo o sol a tocar docemente na pele já calejada pelo trabalho…
- Ei! – Senti um dedo sobre o meu ombro e abri os olhos. – Acorda, menina dorminhoca! Sei que a viagem foi longa mas não é para se dormir!
- Estava a sentir o aroma… - Olhei à volta, absorvendo cada detalhe na minha memória. – Parece um tesouro, este lugar.
- Espera até conheceres as pessoas. Vais amar ainda mais!
Deixou-me, antes que eu lhe pudesse dizer alguma coisa e eu limitei-me a segui-la. Não tomavam apenas café por lá, alguns até comiam pizzas e outros pratos que começavam a chamar o meu estômago: quase que roncava.
- Hi there! – Ela sorriu, cumprimentando todas as pessoas. Eu segui-a, enquanto fazia as apresentações necessárias. Praticamente todo o mundo parecia estar por lá: desde a Europa a vários países de África e América representavam-se pelas pessoas. A variedade de culturas era fantástica!
- É curioso como o nosso grupo está crescendo… - Comentou Rose – Cada vez temos mais pessoas a falarem português. Muito curioso.
- Faz com que nos sintamos em casa, não achas? – Questionei-lhe, enquanto as outras pessoas mantinham-se entretidas entre as várias conversas paralelas que aconteciam por ali. Um misto de línguas, de aprendizagens, saberes e boas culturas. Uma lufada de ar fresco que prometia trazer muitas recordações.
- Com um vendaval assim não preciso de me sentir em casa. E pensar que… – O seu ronronar fez-me dirigir o rosto para o seu alvo.

Parei de ouvir do que ela dizia por alguns minutos. Cabelo castanho rebelde, porte suave e intenso, um andar sensual e ritmado. Um blazer cinza, uma camisa branca e um colete cinza escuro, calças beges e, eu nem conseguia descobrir os seus sapatos. Ah! Eram cinzas, com uma lista cinza-escuro. Eu quase que ouvia a minha pulsação bater consoante os seus passos. Que deus grego era este?
- Quem é? – Perguntei, sem saber se a Rita ou Rose me ouviam.
- Nunca o vi por aqui… – Ouvi alguém dizer.
- Será que ele é Hades? – Molhei os meus lábios, enquanto o via fazer o seu pedido no balcão. – Não me importaria que me levasse para o inferno e levasse com ele todas as boas estações do ano…
- Eu não acho. – Comentou Rita. Pelo menos conseguia reconhecer a sua voz.
- Acho que Marte deve ser o ideal. – Rose suspirou. – Aposto que ele tiraria facilmente uma espada das suas costas e nos salvaria de um animal selvagem…
- Isso não seria mais Hércules? – Questionei-a.
- Não… - Ela respondeu. – Ele traria multidões atrás dele, todas aquelas mulheres a florescer das piores guerras do mundo. Tudo só para conseguir ver a cor da sua espada.
- Eu o vejo na escuridão, junto ao seu cão de três cabeças… Pronto para deixar o mundo morrer por ele.
- Vocês as duas estão a endoidecer. – Ouvi a gargalhada de Rita.
- Não me importava de ficar louca pelo seu inferno… – Comentei.
- Aposto que começará alguma guerra em breve. – Disse Rose.
- Comportem-se meninas, que ele parece estar a dirigir-se para o nosso grupo. – Alertou Rita, nós duas caímos na gargalhada.
- Rose, achas que ele nos virá buscar para o inferno?
- Com ele? – Ela fez uma pausa, vendo-o mais perto. Sussurrou de seguida. – Acho que seria mais o céu.
- Buongiorno ragazze… – Comentou, sorrindo, passando por nós e abraçando um grupo de amigos que estavam sentados na mesa ao nosso lado.
Enzo, parecia ser esse o seu nome.
- Vocês as duas um dia destes enlouquecem de vez… – Comentou Débora, rolando os olhos. – Queriam um deus grego e saiu-vos na rifa um deus romano. – Riu-se. – Um dia destes vais mesmo para o inferno, Rita…

You Might Also Like

2 comentários

  1. Nha, muito bom fazer o texto contigo, foi uma experiência diferente do que estou acostumada, mas acho que bem produtiva ♥

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também gostei desta nossa experiência... Bem diferente, interessante de se viver ! ☺

      Agradeço-te por quereres aventurar-te por quedas diferentes, vejamos o que o futuro nos reserva!

      Eliminar

Deixa aqui o teu pedaço!

Não te esqueças de deixar o link do teu blogue, caso tenhas, para te poder visitar!

E... Não te esqueças:
embarca pela minha loucura, sê-te tempestade de emoções!

Corações

Google+ Followers

Popular Posts