Aquela noite vadia...

junho 25, 2015

Durante toda a minha vida quis encontrar o meu último pedaço para que finalmente pudesse manter a minha vida eterna inteiramente no combate ao meu interior. Toda a minha vida tinha sido jogada borda fora, conseguia ver isso bem nitidamente naquela imagem que me focava atentamente o olhar, aquela mulher que se inteirava no mar e queria senti-lo, fazer parte dele com a sua beleza sem fim, não sabendo que o mar de nada era senão uma pequena imensidão comparado à sua beldade.
Desde sempre que acreditara no amor, mas com o passar dos tempos tudo se tinha diluído na esperança perdida, a mesma esperança que agora banhava meu olhar, fazendo-me desejar fazer parte daquele quadro. O que eu não sabia é que aquela mulher era eu, que todo aquele amor que sentia naquela imagem era eu que o transmitia. Eu apenas estava adormecida numa imensa penumbra que não me mostrava o que realmente era.
Talvez fosse por não sentir-me inteiramente, por apenas mergulhar na saudade e no passado. Mas isso tinha mudado, essa que eu pensava ser afinal nunca existira, eu era apenas o que não pensava ser. Era uma continuação daquele amor que me foi dado, grande responsabilidade que teria de usar com destreza. E era isso que em mim se tornava amargura, eu não conseguia sentir a força que me faria mover esse amor que me foi dado, ainda não o consigo fazer… É tudo tão complicado pela importância que lhe dou. São tantas aquelas noites vadias, tantas aquelas noites que me fazem sofrer por algo que não devia… Mas todas as noites se mergulham apenas numa: a noite que se vai propagando ao longo dos dias…
Gostava de puder largar tudo em lágrimas como outrora, mas nada se torna em lágrimas novamente… Contente poderia ser este novo tempo, porém eu não deixo que o seja, fechei aquela mulher que vivia as sensações como um imenso mar. Ela não tornar-se-á a erguer, estará eternamente apenas aquela imagem que vejo de longe, aquela memória que nunca aconteceu. Tudo ficou no olhar de uma menina, fechado e adormecido. Como uma bela adormecida esperando uma boa nova que não virá, ficando assim para todo o sempre, desejando ficar assim para todo o sempre.
Tudo aquilo que vou reprimindo cá dentro, se tornam em belas e melodiosas palavras. E em palavras terão de continuar. Por isso existiu o Pedaços, originalmente apenas mais uma história mas que se tornou aquela história. Tudo isto porque agora aquela mulher cativa no imenso mar deseja sair de lá, mas tudo se transformou em palavras por enquanto. Mas essa mulher permanece querendo sair, temo que alguma vez saia…
Curiosos estes tempos… Sendo duas ao mesmo tempo, desejando e amargurando ao mesmo tempo. O mais estranho é aquela paz, não me consigo preocupar… Talvez por saber que se fizer algo de mal nada vai afectar a amizade, ou talvez porque já não me importa mais quem ganhará esta batalha. Em qualquer uma das mulheres acabo perdida…
Mas o que e deixa feliz é que afinal de contas, apesar de tudo, a nossa amizade não se destruirá… Essa é a melhor felicidade que tenho. Nada mais importa (sentimentos, acontecimentos, tormentas) pois eu estarei bem, apesar de tudo mantém-se a temperança. Tenho as forças para ultrapassar tudo o que virá, voltando novamente à normalidade. Por isso sinto a paz, nada temo.

You Might Also Like

0 comentários

Deixa aqui o teu pedaço!

Não te esqueças de deixar o link do teu blogue, caso tenhas, para te poder visitar!

E... Não te esqueças:
embarca pela minha loucura, sê-te tempestade de emoções!

Corações

Google+ Followers

Popular Posts