E eu era… Um ser que fugia

maio 07, 2015

Ela era uma moça desconhecida qualquer, talvez nem devesse saber mais o seu nome depois de tantas fugas. Escapou-se do passado, dos outros e de si mesma, tornando-se o vazio que é hoje. Ele? Ele talvez não fosse nada mais do que uma pequena imaginação criada pela sua mente enquanto corria desnorteada dentre o vazio.

- O que fazes desamparada por aí, correndo que nem uma louca?

- Talvez esteja a fugir de tudo, na tentativa de encontrar a minha sanidade.

- Essa tua correria toda faz-me gargalhar. Como pensas encontrar a sanidade, se nem sabes ao certo onde parar?

- Gargalha à vontade, nem sei ao certo o que és por aqui.

- Sou apenas uma sombra qualquer que te fala, talvez tenha sido trazido pelo vento, quem sabe… Mas vá, não mudes de tema. Responde-me.

- Como posso responder-te se o que procuro é exactamente a resposta que desejas?

- Corres então sem saber ao certo o que queres? Sem teres a certeza para onde vais?

- Eu sei para onde vou. A morte um dia me apanhará no seu caminho e me dará boleia para a única certeza que temos enquanto respiramos.

- Eu por vezes me pergunto, como consegues correr tanto, se sabes que ela nos virá buscar.

- Apenas corro porque estou a fugir de mim, a fugir daquela loucura que me persegue.

- E quem te disse que ela te persegue? Não estarás tu a correr mesmo para ela?

- Acredito que não… Senão como estarias aqui hoje, se não fosse a loucura que me escapasse dentre os dedos?

- Talvez eu seja a loucura que te embala até com o som do vento.

- Talvez…

Era um silêncio inquietante que se fazia, aquele mesmo que parecia desnortear qualquer resposta que fosse digna à pergunta… Estaríamos todos loucos? Era a loucura que nos perseguia ou simplesmente nós que corríamos junto a ela, para que ela nos embalasse?

- Sabes se és real? - Perguntou ela, sentada do seu lado, com as suas mãos a amassar a saia do vestido.

- Sabes se és uma noiva?

- Uma noiva? - Perguntou ela, impressionada.

- Sim, já reparaste que corres contra o vento nesse teu vestido branco… Deixas que a loucura seja parte de ti, ou desapareça por completo. Mas, mesmo assim continuas a correr sem saber ao certo para onde. Será que te queres casar junto ao infinito?

- Mas que raio de pergunta é essa?

- É uma pergunta tão certa quanto a tua. Parece loucura, mas a realidade é que está a acontecer no momento. Quem sabe se não sou eu que te pedirei a mão.

- Mas eu nem te conheço.

- Por quanto tempo foges de ti mesma? Há quanto tempo que falas com a ventania?

- Já perdi a conta dos dias e das horas…

- Então, quem sabe se o vento não me chamou para perto de ti… Para que te trouxesse junto à minha caminhada.

- És a morte? - Perguntou ela, assustada.

- Serás a minha noiva? - Replicou ele, levantando-se e ajeitando o seu casaco. Esticou a sua mão para ela. - A escolha é toda tua.

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1 comentários

  1. Confesso que não sou a maior leitora de textos do mundo, mas gostei do que li aqui. É um pouco mórbido, talvez... Mas interessante.
    Espero que mais pessoas reconheçam o seu talento, você escreve bem.

    http://exalandopurpurina1.blogspot.com.br/

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