Concurso de Contos - O Desassossego da Liberdade Parte VIII

fevereiro 06, 2015

Há uns meses participei num concurso fantástico através no Blog BranMorringhan e a editora LivrosdeOntem, pelo seu 6º Aniversário. Como não faço parte dos vencedores, decidi publicar por aqui o conto - em partes para que não fique grande. Cliquem nos links, verão que vale a pena!

♣ Ler a 1ª Parte aqui.
♣ Ler a 2ª Parte aqui.
♣ Ler a 3ª Parte aqui.
♣ Ler a 4ª Parte aqui.
♣ Ler a 5ª Parte aqui.
♣ Ler a 6ª Parte aqui.
♣ Ler a 7ª Parte aqui.

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A viagem estava calma, a conversa fluía e a chuva voltava a bater sobre o carro. Não havia pressa para chegar ao destino e não faltava muito para que conseguissem lá chegar.
- Podes ser-te livre, ter as tuas mãos voltadas para o que escolheres. Mas, por mais que tentes, a tua mente é quem cria a liberdade. Não o que os outros te fazem ou deixam fazer. Não o que os outros dizem ser a liberdade.
- Nós somos aquilo que sentimos, por mais que a liberdade faça parte de nós. – Concluiu ela.
- Verdade. – O seu interior sorria, pelo conjunto de pensamentos que lhe passavam pela cabeça. - É dentro de ti, do que sentes, do que és, que a liberdade traz os frutos da sua realidade.
- Mas nada disso é eterno. – Clara parecia ler-lhe os pensamentos.
- Morres a cada dia, tudo é efémero até ao momento em que desejas ser-te livre. – Continuou ele. – Deixar-te navegar além dos horizontes que a tua mente cria. Encontra-te, perde-te e faz-te verdadeiramente livre do que tudo o que a vida te faz pensar, ser, estar. Deixa-te de amarras e sê-te!
Nenhum dos dois notara que já tinham chegado ao destino. Dentre as suas conversas, as indicações que ela fazia para chegar a casa e a aura que os levava para um mundo completamente à parte, o tempo flutuava e corria para bem longe deles. Estava na hora de deixar a loucura de parte. Por agora.
- Amanhã à mesma hora? – Perguntou-lhe, enquanto ela saía do seu carro.
- Mas que hora? Ainda nem me disseste o teu nome.
- Amanhã to direi. Ou, quem sabe, depois de amanhã será o dia ideal. – Ela fechou a porta, parte irritada, parte expectante. Ele abriu o vidro. – Estarei por lá, caso precises.
- Vives lá, por acaso? – Gritou-lhe, voltando-se para o carro. – Ou és um gnomo e por isso não podes dizer o teu nome?
- Vá… Amanhã continuamos com as nossas teorias. Vê-te livre de mim por hoje. Vai-te!
- Quem disse que fico livre? – Virou-lhe costas. Ele deu marcha para o seu destino, que ninguém sabia ainda qual era. Talvez nem ele.
- Todos nós somos livres do mundo. Mas somos tão presos a nós que, por vezes, parece que perdemos aquele pequeno brilho, ao qual vale a pena respirar. – Suspirou, sentindo-se tolo. – Esta liberdade que nos enlouquece é a mesma que faz com que o sol brilhe de uma forma especial.
Amanhã seria uma nova escolha, e a vida se fazia repleta delas. Cada uma meticulosamente ligada ao que respiramos hoje dentro das nossas emoções.
Por isso somos livres, queremos fugir do que nos pesa por dentro. Queremos ser algo além daquilo que dita as células que nos constituem.
Queremos enlouquecer, como uma suave folha que cai sobre o Outono e deixa-se flutuar pela liberdade. Perdendo-se, encontrando-se e sendo apenas isso. Livre.
Fim.
E então, gostaram desta nossa pequena loucura?
Não vejo a hora de começar um outro! Algum tema em questão que queiram que escreva? Comentem para eu saber ☺

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