Concurso de Contos - O Desassossego da Liberdade Parte VII

janeiro 30, 2015

Há uns meses participei num concurso fantástico através no Blog BranMorringhan e a editora LivrosdeOntem, pelo seu 6º Aniversário. Como não faço parte dos vencedores, decidi publicar por aqui o conto - em partes para que não fique grande. Cliquem nos links, verão que vale a pena!

♣ Ler a 1ª Parte aqui.
♣ Ler a 2ª Parte aqui.
♣ Ler a 3ª Parte aqui.
♣ Ler a 4ª Parte aqui.
♣ Ler a 5ª Parte aqui.
♣ Ler a 6ª Parte aqui.

♣-♣-♣
A sua boca abriu-se, como se estivesse a reviver tudo o que realmente vivera pelo seu sonho. Ainda agora estava curiosa para saber o que fizera barulho pela casa e quem lhe batera na cabeça.
- É interessante o que me dizes.
- É? – Clara realmente duvidava que isso fosse verdade.
- Eu sou psicólogo. Gosto de divagar por esse mundo dos sonhos. – Fez uma careta. – Pena que eu raramente os tenha.
- Porquê? O que tem de especial os sonhos?
- É com ele que traçamos a nossa alma… Não aquela espiritual que toda a gente parece acreditar, ou desacreditar. – Fez uma pausa, como se esperasse ser interrompido. – Os nossos desejos, as nossas necessidades escondem-se pelos nossos sonhos. Em cada loucura que vivemos de olhos fechados corresponde a algo que faz parte de nós na vida real.
- Eu ainda me questiono. – Ela sorriu. – Como posso já até saber a tua profissão e não conhecer o teu nome.
- Que nome me dás?
- Não vejo razão para te dar um nome. – Ela refutou.
- Tal como eu não acho que seja necessário nomeares-me.
- Então te conhecerei sempre por aquele homem que estava lá quando eu me perdi?
- Prefiro que digas que sou aquele que estava lá quando te encontraste. – Gargalhou. – Aí sim, a minha profissão seria a mais correcta.
- E como sei eu, então, que isto não é apenas mais um novo sonho da minha noite?
- Isso interessa? – Ele passou o braço sobre os seus ombros. – O que importa é esta proximidade que sinto contigo e a vontade que sentes comigo. Tu e eu podemos virar o mundo do avesso.
- Todos nós pudemos.
- Mas tens de admitir, somos especiais. – Ela fez uma pequena careta. – Não vais admitir?
- Nem sei o teu nome… Como admitir uma coisa que eu nem sei se existe. – Ela afastou-se, voltando novamente para o local onde se sentaram ainda há uns quantos minutos. – Ainda não sei se me perdi, se encontrei o que precisava.
- Nunca o saberás.
- Sou livre? – Ela observava-o nos olhos. – Se sou livre, então por que te pergunto a toda a hora e nome e não mo dás?
- A tua liberdade acaba…
- Quando a liberdade do outro começa… – Interrompeu-lhe. – Já sei.
- Não. – Ele deu-lhe uma leve palmada no ombro. – Ela acaba quando permites que isso aconteça. O resto são histórias contadas para eliminar as loucuras dos outros.
- És louco?
- Não somos todos?
- Eu sou. – Clara confessou. – Deveria estar a preocupar-me com o carro, chamar o reboque e ir para casa. Mas estou bem aqui, mesmo que anoiteça. Gosto de conversar contigo, mesmo sem nome.
- Já paraste para pensar que não me disseste o teu?
- Oh! – Ela rapidamente tapou a sua boca, espantada. – Nem o tinha reparado. – Estendeu a sua mão, como se estivesse a apresentar-se. – Sou a Clara, e tu?
- Não é assim tão fácil. – Beliscou-lhe a mão e levantou-se. – Temos de tratar de tudo, antes que a noite venha.
- Já? – A tua tristeza transparecia na voz.
- Somos livres de fazer o que quisemos.
- Quero ficar aqui, todo o tempo. – Ele estendeu-lhe a mão, para que ela se levantasse.
- Tens a certeza que queres perder o que o mundo tem para te oferecer? – Ela abanou a cabeça, em negativa. – Então vamos tratar de tudo. Precisas de continuar a tua aventura, precisas perder-te novamente e encontrar-te de novo.
- Parece que tens um livro saído dos teus lábios.
- Quem sabe, não seja eu um livro que leste antes de adormecer?
- Eu me recordaria, se o fosses.
- Vamos levar-te a casa. – Ele sorriu, indicando-lhe o caminho até ao carro dele.
- Como eu sei que não estás a tentar raptar-me, ou pior? – Ironizou.
- Nem sequer sei o teu nome, como posso confiar em ti? – Ele tentou copiá-la, com uma voz fininha e irritante. – Sabes que não resulta. Não vais saber o meu nome hoje. Vens? – Parou, esperando a sua resposta. – Se desejares podes telefonar a alguém para te vir buscar, ou esperares pelo pronto-socorro.
- Vamos lá então. Eu indico-te o caminho…
Continua...

You Might Also Like

0 comentários

Deixa aqui o teu pedaço!

Não te esqueças de deixar o link do teu blogue, caso tenhas, para te poder visitar!

E... Não te esqueças:
embarca pela minha loucura, sê-te tempestade de emoções!

Corações

Google+ Followers

Popular Posts