Concurso de Contos - O Desassossego da Liberdade Parte VI

janeiro 23, 2015

Há uns meses participei num concurso fantástico através no Blog BranMorringhan e a editora LivrosdeOntem, pelo seu 6º Aniversário. Como não faço parte dos vencedores, decidi publicar por aqui o conto - em partes para que não fique grande. Cliquem nos links, verão que vale a pena!

♣ Ler a 1ª Parte aqui.
♣ Ler a 2ª Parte aqui.
♣ Ler a 3ª Parte aqui.
♣ Ler a 4ª Parte aqui.
♣ Ler a 5ª Parte aqui.

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Um, dois, três… Quatro, cinco, seis… Sete, oito, nove… Dez, onze, doze… Treze. Uma voz masculina parecia contar-lhe uma história através dos números. Tudo era tão silencioso que não se sentia no seu mundo. Que loucura era esta que a levava dali?
- Olá? – Clara ouviu a mesma voz dizer. Tentou abrir os olhos, eles pareciam tão pesados que se tornava difícil conseguir ver alguma coisa. Ela sentia-se confusa, perdida e até duvidava de si mesma. – Consegues ouvir-me?
Ela tentou falar – a sua garganta parecia arder, quanto mais ela tentava, mais lhe arranhava.
Finalmente conseguiu abrir os olhos e o espelho do carro encontrava-se à sua frente. Tentou mover-se, sem sucesso, pois duas mãos tentavam travar-lhe os movimentos. Ela observou-o. Era o mesmo homem com quem ela falara há uns dias.
- Olá de novo. – Ele sorriu-lhe. – Não podes movimentar-te. Bateste com o carro e parece que a tua cabeça teve um breve encontro com o volante. Precisamos de te manter quieta. Já chamei a ambulância, devem estar a chegar.
Ela quase abanou a cabeça, sentindo-se confusa. Como tivera o acidente? Ainda há pouco algo ou alguém lhe batera com algo na cabeça e agora estava dentro de um carro?
- Eu segui-te, quando deixaste a tua carteira cair ao chão. – Ele parecia entender que Clara não entendia nada do que acontecera.
Primeiro pensou que estivesse a sonhar, só que achava que era demasiado real a dor que estava a sentir. Depois, decidira que estava louca. Ou a situação da casa não existiu sequer, ou nada disto existia.
- Já estavas no carro quando eu cheguei à estrada. Parece que um animal atravessou-se em frente ao teu carro e embateste na berma da estrada. – Ele passou os seus dedos sobre o cabelo que estava à frente dos seus olhos. – Não te recordas?
Breves flashes apareceram de rompante pelos seus olhos, recordando aquela aflição momentânea que sentira ao ouvir o barulho por baixo do seu carro. Ela acenou com a cabeça, tentou sorrir e fez uma careta. Não era apenas a sua cabeça que lhe doía.
Ainda agora saíra com o carro, nunca chegara a casa e a sua mãe não lhe telefonara. Não apanhara chuva, não existira nenhuma vizinha que morrera. Tudo fazia parte de uma parte inconsciente da sua cabeça que inventara tudo – e que invenção!
Logo chegou a ajuda, que confirmou que tudo parecia estar bem. Não havia necessidade de qualquer tratamento além das escoriações que sofrera na pele. Caso existisse algum novo sintoma, ela deveria ir de imediato ao hospital.
Portanto, Clara ficara sem carro, sem meio de voltar a casa e sem toda aquela sensação fantástica de liberdade que tivera no pequeno longo sonho que tivera enquanto estivera apagada.
- O que se passa? – Perguntou-lhe o homem, enquanto caminhavam de volta à clareira. Ela lhe pedira para voltarem lá, na tentativa de encontrar-se novamente com aquela felicidade que se esfumara com todos os acontecimentos, quer reais ou imaginários.
- Qual é o teu nome? – Essa era a questão que rodopiava no seu âmago.
- Porque necessitas de saber? – Ele sorriu.
- Preciso de dar um nome a esse sorriso, às nossas conversas…
- Não precisas de nomes para que as coisas sejam reais.
- Eu não sei mais o que é real. – Desabafou.
- Como assim? – Ela não sabia como, mas o homem conseguia fazê-la abrir-se e deixar tudo para trás. E não, essas histórias de romances e amores não faziam parte do que estava a acontecer. Era uma questão do que os dois eram, do que procuravam ser. Do que os faziam sentir-se livres.
- Eu quase morri.
- Deixa isso para trás. – Ele tocou-lhe no ombro. – Explica-me lá o que aconteceu.
Continua...

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