Concurso de Contos - O Desassossego da Liberdade Parte V

janeiro 16, 2015

Há uns meses participei num concurso fantástico através no Blog BranMorringhan e a editora LivrosdeOntem, pelo seu 6º Aniversário. Como não faço parte dos vencedores, decidi publicar por aqui o conto - em partes para que não fique grande. Cliquem nos links, verão que vale a pena!

♣ Ler a 1ª Parte aqui.
♣ Ler a 2ª Parte aqui.
♣ Ler a 3ª Parte aqui.
♣ Ler a 4ª Parte aqui.

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A casa encontrava-se no centro de uma pequena clareira, na sua traseira existia um pequeno banco rodeado de plantas que certamente floriram pela primavera e verão.
Clara aproximou-se e seguiu o pequeno caminho serpenteado dentre as árvores. Com uma pequena pedra afiada, apanhada do chão, marcou os troncos pelos quais virava. Perder-se não seria tão má ideia, contudo necessitava de chegar a casa logo após o almoço – o advogado apareceria com a primeira tarefa que teria em mãos. Enfim, o tempo estaria controlado pelas demandas da velha senhora.
Para muitos, toda esta vegetação era a mesma. Para tantos outros, o tédio cresceria e ficava insuportável com todo este silêncio. Mas Clara não.
Ela ouvia o ruido da chuva, cheirava a terra molhada e sentia as pequenas gotas – aquelas que brotavam das folhas carregadas de água dos pinheiros. Avançava sobre os troncos que renasciam pelo chão e escorregava ao longo do musgo vivo destes tempos.
O seu sorriso encontrava-se com a luz que a iluminava, a melodia da vida emudecia-lhe a pele e a liberdade se fazia tão leve… Mas, tão leve, que os seus olhos se fechavam para que a memória conseguisse captar cada uma das sensações que os seus cinco sentidos podiam albergar.
Sem qualquer sentido de orientação, perdeu-se. Sorriu ao observar o relógio de pulso. A imensidão do tempo que vivera fora convertido apenas em um par de horas. Ainda tinha muito tempo para voltar a casa.
Cortou para um outro caminho que nascia de uma encruzilhada, esse que parecia subir até ao céu. Arranjou um fiel amigo, uma espécie de bengala caída pelo chão. O musgo e a humidade escorregavam sobre os seus sapatos citadinos.
Clara registou na sua mente para solicitar melhor calçado ao homem, ou até uma viagem à cidade mais próxima para puder comprar uns quantos pares. Foram apenas umas horas, mas ela já estava certa de que a sua permanência naquele lar seria recorrente. A magia era palpável pelo ar. Toda aquela emoção que vivera pela descoberta da sua verdadeira liberdade transmitia-se nos seus poros.
Ouviu um som característico, madeira que parecia rachar ecoava pela trilha do lado esquerdo. Se pudesse, correria para se aproximar e verificar o que era. Mas o solo parecia gelatina, o que obrigava à lentidão. Definitivamente ela precisava de calçado próprio.
Uma casa acolhedora apareceu no seu horizonte, ainda sem sinal de vivalma. Clara seguiu em frente, à procura de alguém. Chegou a uma pequena garagem, ainda se encontrava um pedaço de madeira no tronco grande. O som de folhas calcadas ecoou por seus ouvidos mesmo atrás de si. Ela tentou voltar-se, mas um peso enorme na sua cabeça a fez procurar a origem da dor. A última coisa que ela se lembrava era a escuridão que parecia rodear toda a sua cabeça, como se estivessem a enfiar-lhe um saco em cima.
Continua...

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