Concurso de Contos - O Desassossego da Liberdade Parte III

janeiro 02, 2015

Há uns meses participei num concurso fantástico através no Blog BranMorringhan e a editora LivrosdeOntem, pelo seu 6º Aniversário. Como não faço parte dos vencedores, decidi publicar por aqui o conto - em partes para que não fique grande. Cliquem nos links, verão que vale a pena!

♣ Ler a 1ª Parte aqui.
♣ Ler a 2ª Parte aqui.

♣-♣-♣
Ainda nem se aproximara da porta da cozinha e a sua mãe já batia o pé junto ao batente.
- Porque demoraste tanto tempo? Por que estás toda encharcada? O que andaste a fazer? – As perguntas sussurradas da sua mãe, que parecia extremamente angustiada só faziam com que a curiosidade dela aumentasse.
- O que se passa, mãe?
- Veste-te! Troca essa roupa, antes que constipes! E rápido, temos pessoas lá em baixo à espera na sala de estar. – Dito isto, logo desapareceu.
Apesar de tudo, Clara dirigiu-se lentamente para o seu antigo quarto. Ela só esperava que algo lhe servisse, senão a sua mãe teria um enfarte de tanta espera. Um par de calças, uma camisola e umas sandálias surgiram-lhe nas mãos. O que foi o suficiente para que ela conseguisse estar pronta em dez minutos.
Inspirou fundo, desceu as escadas e abriu a porta da sala. Não era habitual estar tanta gente por lá. Seu pai, os seus familiares mais próximos e um senhor engravatado observavam-na. A seriedade do momento foi como um baque seco dentro dela – que ainda há minutos redopiava pela chuva, feliz.
- O que aconteceu? – Perguntou Clara, engolindo em seco.
- Não é nada, minha querida. – O seu pai, com o tom doce, levantou-se e rodeou os seus ombros com o seu braço. – Senta-te aqui, ao pé de mim. Estávamos à tua espera para começar.
E ela assim o fez. Calada, sentou-se e esperou que o homem engravatado dissesse alguma coisa – sim, porque todos eles pareciam esperar que ele começasse.
Uma antiga vizinha – que Clara não conhecera – morrera. Sem familiares, sem grandes posses, mas com um bom seguro de vida que lhe permitia mudar a vida de alguém após a morte. Foi isso o que a senhora quis: mudar a vida da sua família. Cada um recebera uma quantidade avultada de dinheiro.
- Tenho uma casa? – Perguntou ela, surpresa. A idosa tinha especificado que o seu lar iria diretamente para a última filha menina da família, junto com uma quantia semanal que lhe seria entregue em mãos a cada sexta-feira.
- Parece que sim. – Sorriu o seu pai, apertando-lhe a mão.
- Existem condições que devem ser cumpridas antes que a casa se torne da sua filha. – O homem sério ignorou-a, continuando a sua leitura. – Caso a casa não seja habitada durante duas semanas pela sua nova inquilina, todos os valores monetários e imóveis deverão ser distribuídos por uma instituição de apoio à caridade.
Clara não prestou atenção a mais nada. Eram duas semanas da sua vida que ficariam suspensas, apenas para descobrir os encantos de uma moradia que talvez seria sua.
Ela não conseguia controlar o seu contentamento pela sensação de novas descobertas que estavam para vir. Será que encontraria algo especial pela casa? Como esta seria?
- Quando podemos visitá-la? – A boca de Clara se abrira sem que ela conseguisse controlar-se. A leitura do testamento estava no fim, não faltava muito para que o senhor saísse. – Haveria disponibilidade para levar-me lá ainda hoje?
- Não queres esperar um pouco? – O seu pai parecia preocupado com o seu interesse repentino. – Não sabes o que esperar desse lugar.
- Não te preocupes. Eu estou bem. Apenas estou curiosa.
- Era exactamente isso que eu desejava falar com a menina. – Comentou o homem. – Amanhã de manhã, está bem para si? Depois trataremos dos detalhes na viagem, com mais calma.
Ela acenou com a cabeça, ainda um pouco surpreendida com a velocidade de emoções que a cercavam. O dia estava quase no fim, por isso ela decidiu terminá-lo da melhor maneira: música, paz e umas boas horas de sono. O dia seguinte tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante que não permitia que os seus pensamentos ficassem em equilíbrio.
Continua...

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