Concurso de Contos - O Desassossego da Liberdade Parte II

dezembro 26, 2014

Há uns meses participei num concurso fantástico através no Blog BranMorringhan e a editora LivrosdeOntem, pelo seu 6º Aniversário. Como não faço parte dos vencedores, decidi publicar por aqui o conto - em partes para que não fique grande. Cliquem nos links, verão que vale a pena!

♣ Ler a 1ª Parte aqui.
♣-♣-♣
As árvores corriam sobre as janelas do carro, enquanto o tempo parecia adivinhar chuva. O asfalto seco não demorou muito tempo a escurecer, junto com a berma da estrada que brilhava – como se a chamasse para uma comunhão com as doces gotas que fluíam do céu.
O pisca sorridente encostou o automóvel, a porta abriu-se e Clara fez-se bailarina: água que ecoava sobre a sua pele, rosto atento ao céu, olhos fechados e um sorriso que prometia conquistar o mundo. Ou será que era o novo mundo, que descobrira, que a conquistara?
- Quem és tu e o que fizeste à liberdade que eu conheço? – Gargalhou, deixando-se cair sobre o chão molhado.
Um pequeno toque se fez ouvir. A porta estava aberta, por isso ela simplesmente levantou-se, encontrou o telemóvel no meio da tralha da mala e atendeu.
- Por onde andas? – A voz da sua mãe era inconfundível.
- Tínhamos alguma coisa combinada? – Clara não se recordava de ter marcado alguma coisa.
- Temos visitas e preciso que estejas presente. – Não era um tom muito elevado, como se estivesse com receio que alguém ouvisse. – O teu pai já chegou e faltas tu.
- Mas o que se passa? – Ela começava a sentir-se preocupada.
- Vem depressa, quando chegares te avisamos. Entra pela porta detrás, estarei na cozinha à tua espera. – A chamada perdeu-se, provavelmente a sua mãe já a desligara.
Clara ignorou a sua roupa molhada e entrou no carro, dando marcha. Seriam os seus vinte minutos mais longos da vida, a curiosidade matava-a. Tentou colocar música para magicar menos sobre o que poderia ser, sem muito sucesso. Minutos que pareciam ser horas, segundos que ainda eram mágicos. Mesmo que, parte daquela liberdade enlouquecida, estivesse lavada com a chuva que a chamava pelo vidro.
Continua...

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